Harvard: ‘por que o FDA não é confiável’

Harvard: ‘por que o FDA não é confiável’

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“Os pacientes são as vítimas inocentes”, afirma o artigo.

Este artigo, escrito por Donald W. Light e publicado no Center of Ethics da prestigiada Universidade de Harvard, nos EUA, discute a falta de confiabilidade da FDA (Food and Drug Administration) na aprovação de novos medicamentos. Segundo o autor, cerca de 90% dos medicamentos aprovados nos últimos 30 anos são pouco ou nada mais eficazes do que os medicamentos existentes.

Além disso, o autor argumenta que a barra para considerar um medicamento “seguro” também é baixa, resultando em uma epidemia de efeitos colaterais prejudiciais. Estima-se que a cada semana ocorram 53.000 hospitalizações e 2.400 mortes nos Estados Unidos devido a medicamentos corretamente prescritos. O artigo também destaca que um em cada cinco medicamentos aprovados acaba causando danos graves. “Isso é o oposto do que as pessoas querem ou esperam do FDA”, diz o autor.

“Medicamentos prescritos são a quarta principal causa de morte. Mortes e hospitalizações por overdose, erros ou uso indiscriminado de drogas aumentariam esse total”, explica.

O autor afirma que a indústria farmacêutica exerce influência significativa sobre a FDA, acelerando o processo de revisão de medicamentos e aumentando a possibilidade  de efeitos adversos graves e mortes. Ele argumenta que as políticas recentes da FDA podem aumentar ainda mais a epidemia de danos causados por medicamentos. 

O artigo sugere que não se pode confiar mais na FDA para cumprir sua missão histórica de proteger o público de medicamentos prejudiciais e ineficazes. O autor critica a falta de critérios rigorosos para a aprovação de novos medicamentos, a divulgação de informações enviesadas e a manipulação de dados pela indústria farmacêutica.

“O contato próximo e constante das empresas com funcionários da FDA contribuiu para a aceitação de critérios vagos e mínimos do que significa ‘seguro’ e ‘eficaz’”, afirma o autor.

“A corrupção adicional do conhecimento médico por meio de equipes financiadas por empresas que elaboram a literatura publicada para exagerar os benefícios e subestimar os danos, sem o monitoramento do FDA, deixa bons médicos com conhecimento corrompido. Os pacientes são as vítimas inocentes”.

O texto também levanta preocupações sobre propostas recentes da FDA para flexibilizar os critérios de aprovação de medicamentos para o tratamento de Alzheimer, questionando a existência de uma “necessidade médica não atendida” e a falta de evidências de eficácia desses medicamentos.

O artigo conclui recomendando que os leitores não tomem medicamentos aprovados pela FDA até que eles estejam no mercado há sete anos – a menos que seja absolutamente necessário – para que haja tempo de acumular evidências sobre seus benefícios e riscos reais.

Opinião do MPV – Médicos Pela Vida

O MPV expressa preocupação com os dados apresentados no artigo, que evidenciam a falta de eficácia e os riscos associados aos medicamentos aprovados pela FDA. Como instituição comprometida com a ética e a segurança dos pacientes, acreditamos que é fundamental repensar o sistema de aprovação de medicamentos, exigindo critérios mais rigorosos e avaliações  independentes.

É alarmante constatar que a indústria farmacêutica exerce influência significativa sobre a FDA, o que compromete a imparcialidade e a proteção aos consumidores. Instamos as autoridades regulatórias a fortalecerem os padrões de eficácia e principalmente de segurança  garantindo que os medicamentos aprovados tragam mais benefícios do que  riscos para a saúde pública.
Além disso, é necessário promover uma maior transparência nas informações fornecidas aos médicos e pacientes, a fim de evitar a manipulação de dados e a divulgação de informações enviesadas pela indústria.

Para deixar o cenário ainda mais nebuloso, desde quando este artigo foi escrito, há quase dez anos, nenhuma reforma estrutural foi feita, abrindo espaço para ainda mais poder das indústrias sobre os órgãos reguladores, tidos pela população comum como “a verdade”, até seu auge na COVID-19.

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