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China pede boicote de evento contra repressão de minorias

Em nota datada de 06/05, China pede boicote de Estados da ONU a evento sobre repressão de Pequin a minorias em Xinjiang na próxima semana

Informação é da Agência Reuters, que teve acesso à nota.

A China pediu aos Estados-membros das Nações Unidas que não compareçam a um evento planejado para próxima semana por Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido sobre a repressão aos muçulmanos uigures e outras minorias em Xinjiang, no noroeste do país asiático. A informação é da agência Reuters que teve acesso à nota na sexta-feira 7.

“É um evento com motivação política”, escreveu a missão da China na ONU na nota, datada de quinta-feira 6. “Solicitamos à sua missão de não participar deste evento anti-China”, afirma o documento

Pequim acusou os organizadores do evento, que também inclui vários outros Estados europeus junto com Austrália e Canadá, de usar “questões de direitos humanos como uma ferramenta política para interferir nos assuntos internos da China, como Xinjiang, para criar divisão e turbulência e interromper o desenvolvimento da China”.

“Eles estão obcecados em provocar confrontos com a China”, disse a nota, acrescentando que “o evento provocativo só pode levar a mais confrontos”.

Segundo a Reuters, a missão chinesa junto às Nações Unidas confirmou a autenticidade da nota e a oposição de Pequim ao evento. Os embaixadores dos Estados Unidos, Alemanha e Grã-Bretanha devem discursar no evento virtual da ONU na quarta-feira 12.

O objetivo do evento é “discutir como o sistema da ONU, os Estados membros e a sociedade civil podem apoiar e defender os direitos humanos dos membros das comunidades étnicas turcas em Xinjiang”, de acordo com um convite.

Estados ocidentais e grupos de direitos humanos acusaram as autoridades de Xinjiang de prender e torturar uigures em campos, o que os Estados Unidos descreveram como genocídio. Em janeiro, Washington proibiu a importação de produtos de algodão e tomate de Xinjiang sob alegações de trabalho forçado.

Pequim nega as acusações e descreve os campos como centros de treinamento vocacional para combater o extremismo religioso.

“Há anos Pequim tenta intimidar os governos para que se calem, mas essa estratégia falhou miseravelmente, à medida que mais e mais Estados se apresentam para expressar horror e repulsa pelos crimes da China contra uigures e outros muçulmanos turcos”, disse o diretor da Human Rights Watch, Louis Charbonneau.